A diversidade no Yoga

por Thiago Goulart

Ser consciente

por Mirra Alfassa

Textos, artigos e ensaios sobre Yoga

 

Breve diálogo de A Mãe (Mirra Alfassa), com seus discípulos em Pondicherry, Índia, 1929.
"Que deve a pessoa fazer para preparar-se para o Yoga?

A Mãe:
- Ser consciente, primeiro que tudo. Somos conscientes apenas de uma insignificante porção de nosso ser, pois da maior parte somos inconscientes. É esta inconsciência que nos mantém sujeitos à nossa natureza irregenerada e impede a sua mudança e transformação. É através da inconsciência que as forças não divinas entram em nós e nos fazem seus escravos. Você deve ser consciente de si mesmo, você deve despertar para sua natureza e seus movimentos, você deve saber como e por que faz ou sente as coisas ou pensa nelas; você deve entender seus motivos e impulsos, as forças escondidas ou aparentes que o movem; na verdade, você deve, por assim dizer, desmontar em pequenos pedaços o mecanismo inteiro de seu ser. Somente quando você se torna consciente é que você pode distinguir e peneirar as coisas, você pode ver quais as forças que o puxam para baixo e quais as que te ajudam.";~ç.

      
     Acredito que a grande diversidade que vemos na Índia, o caldeirão borbulhante que é este país, com suas diferentes e várias formas de cultos e caminhos espirituais (sadhus, ascetas renunciantes, brâmanes, tântricos, shaktas, vishnuístas, shaivas, o budismo entre muitos outros), enfim, tantas vertentes espirituais que dominaram e são praticadas no mundo atual, são como as divindades cultuadas, várias facetas do mesmo princípio divino: Îshvara, Brâhma, Shiva. Nada mais natural que esta diversidade se expresse também nas diferentes formas de Yoga que se apresentam hoje em dia, todas são apenas alegorias para um objetivo em comum.
Claro que nem tudo que reluz e reivindica seu lugar possa ser considerado ouro, ou seja, um caminho autêntico: o mundo está repleto de espertalhões que mais obscurecem do que clareiam; uma boa dose de esclarecimento e discernimento é necessária para poder conhecer um caminho autêntico, muitas vezes a "sorte" ou predisposição kármica a este nos apresenta.
Dentro deste mundo repleto de intolerância, discriminação e preconceitos - todos fatores que tem a mesma característica em comum, a limitação - apenas sei que é arriscado e potencialmente limitante se considerar o melhor, o mais autêntico, o mais correto, o mais sábio, o porta-voz escolhido por deus ou alá ou o supremo em seus diferentes nomes inventados pelos humanos; todos estamos neste plano por sermos iguais, com caminhos diferentes e pontos de vista que nos fazem evoluir ou não. Esta minha opinião de que é arriscado e potencialmente limitante ainda é bastante limitante, pois mesmo os que criticam e limitam tem o seu papel neste plano, ou seja: tudo está perfeitamente agora, nada há a acrescentar ou tirar. A realidade que se apresenta apenas é: imperfeitamente perfeita.
Faça a sua prática, respeite a dos outros.
Se sua prática te traz mais esclarecimento e discernimento, acompanhado de respeito á sua vida e a dos outros, com celebração extática desta, além de outros fatores que tornam esta realidade menos opressiva e limitada/limitante, saiba que está no caminho certo
.




 

Kalayanamitra é um termo sânscrito que define os bons amigos.
Conhecemos pessoas em nossa existência, algumas das quais, sem sabermos a razão, começam a fazer parte de nossa vida, e agregam grande valor, beleza e auspiciosidade a ela.
Kalayanamitra é uma conexão energética poderosa, como pessoas de uma mesma família, digamos, uma ligação maior, cósmica. Um amigo na condição de Kalayanamitra, quando o encontramos, é como um reencontro, alguém que têm-se a impressão de conhecer há muito tempo.
Kalayanamitra não é o tipo de amizade forçada a acontecer, muito menos uma relação forjada por condições, como gentilezas cínicas ou pretensiosas. Não há interesse egoísta por trás de Kalayanamitra, não existem vampirismos energéticos, comuns hoje em dia nas ditas “amizades”, baseadas em sorrisos falsos e gentilezas superficiais ou materiais, em que um precisa se recarregar através do outro dito “amigo”. Tome como exemplo pessoas que apenas falam, não escutam, não abrem espaço para a troca, o tipo de pessoa que precisa constantemente de autoafirmação.
“Deixai que os fatos sejam fatos, sem que sejam forjados para acontecer.” Chico Science.
Essa amizade é uma conexão sem descrições, que faz aflorar e sublinha nossa essência, ou seja, nosso ser real. Conduz-nos ao nosso melhor, pois há ressonância de intenções. É uma troca harmoniosa, em que cada um inspira ao outro no despertar de belas energias, Shri, nutrindo cada indivíduo com mais alinhamento, o que auxilia na execução de nosso Dharma, nosso propósito maior nesta existência. 
Quando encontramos nosso caminho, por exemplo, através de uma disciplina que nos desenvolva harmoniosamente, como o Yoga, nos conectamos a uma fonte cósmica de energia que nos direciona naturalmente a estes relacionamentos simples e puros.  E quando nossas intenções são livres de malícia, sem serem movidas pelo ego, facilitamos estes encontros.
Kalayanamitra, bons amigos que se encontram no caminho em direção ao despertar espiritual, apenas é.
Kalayanamitra é um guia que conduz estes bons amigos ao caminho justo, em direção á iluminação. Namastê!

 

Kalayanamitra

por Thiago Goulart​

O Saṁsara é o próprio pensamento.
Com esforço, é preciso purificá-lo.
Aquilo que o homem pensa é aquilo

em que ele se transforma.
Este é o eterno mistério.
Maitrī Upaniṣad

Christopher Tompkins sobre as origens do Vinyasa

por Vikram Zutshi, Novembro 2015

(tradução ao português brasileiro por Thiago Goulart)

 

 

 




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Christopher ministra palestras nacionalmente em Universidades e centros de Yoga sobre a história, a filosofia e as práticas de Yoga indiana e Shivaísmo tântrico. Ele tem 3 graduações em Religião e Sânscrito, incluindo mestrados em Harvard e em UC Berkeley. Sua pesquisa apaixonada e metódica lança uma nova luz sobre as origens do Vinyasa, que foi cercado de controvérsia. Apresenta-se aqui a primeira de uma série de revelações para o benefício do praticante empenhado.

 Sutra Journal: Como você inicialmente se envolveu com estudos em sânscrito? O que despertou seu interesse no assunto e, mais especificamente Shivaísmo Cachemiriano?

Christopher Tompkins: Eu fui apresentado ao yoga através dos ensinamentos de Paramahamsa Yogananda, tendo sido iniciado na prática que ele genericamente chama Kriya Yoga, seguindo os passos de meu pai. Eu assisti a prática transformar sua vida e transformá-lo no grande professor que ele se tornou. Tive o privilégio de experimentar o quão diretamente a prática o ajudou a superar o câncer antes de sua morte em 2003.

          Meu pai Ron e eu ambos tivemos experiências poderosas

através do que é essencialmente uma ciência do corpo sutil de

manipulação de respiração, visualização e mudras, coreografada

para a pronunciação de Mantras-sementes (bijas), a fim de

alimentar o seu efeito libertador sobre bloqueios existentes no

canal central do corpo sutil.

 Esta prática teve resultados muito tangíveis para nós.

 

 Agora, muito parecido com Krishnamacharya, Yogananda consistentemente alegou

que ele estava desenhando a partir de uma tradição baseada em textos,

especificamente uma tradição baseada em 'Shastra'. Yogananda deu uma sinopse

muito detalhada das complexidades dessa prática e seus prováveis ​​ efeitos

se empenhada diligentemente. Até certo ponto meu pai, em particular, poderia atestar

que ele experienciou a verdade dessas alegações.

 

 Mas o próprio guru não está mais entre nós, e seus sucessores são na sua maioria ocidentais com nenhum conhecimento da possível fonte de "Shastras", que pode conter a prática de Kriya. Lembro-me de meu Pai intuir que deve haver mais para a prática, mesmo que ele tenha dominado o que a ele tinha sido ensinado. Por volta da época de sua morte, ele pediu que eu explorasse os textos originais dos quais Yogananda falou - talvez existam "Shastras" lá fora, ele supôs, esquecidos, mas não totalmente perdidos - em caso afirmativo, estes podem conter grandes “pedras preciosas” que poderiam ser eficazes para reviver.

 Antes que você posa ter a sorte de encontrar tais textos, você tem que dominar o idioma sânscrito, aprender suas inflexões regionais, aprender a ler manuscritos, etc. Comecei meus estudos em sânscrito há 17 anos em Harvard. Foi lá que eu me tornei interessado em Shivaísmo Cachemiriano - principalmente em sua filosofia não-dualista. Eu fui para a UC Berkeley, onde eventualmente estudei por um tempo sob a tutela de Somadeva Vasudeva, um brilhante professor visitante de Oxford, o único estudioso que eu conhecia que era especializado no Yoga do Shivaísmo Tântrico. Ele introduziu a arte da filologia, e me deu um enorme download de e-textos sânscritos, que foram digitados a partir de manuscritos por muitos estudiosos ao longo de várias gerações. Então, de repente, eu tinha um recurso enorme de textos pesquisáveis ​​através do sistema 'GREP', uma ferramenta inestimável para todos os estudiosos que querem conduzir uma investigação em profundidade sobre qualquer assunto de literatura transliterada de manuscritos.

 Isso foi há 8 anos.

 Desde então, eu estava como uma criança numa loja de doces, garimpando minha coleção crescente de mais de 2.000 e-textos pesquisáveis, bem como milhares de manuscritos escaneados  que eu adquiri na Caxemira e em outras regiões da Índia, graças em parte a comunidade de Yoga dos EUA que financiou essas viagens.

Com uma coleção como esta, nestes últimos anos, eu li muito mais sânscrito do que Inglês, às vezes por mais de 30 horas por semana.

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                        64 Yoginis no Chausathi Yogini Temple de Hirapur, Bhubaneshwar

 

 Sutra Jornal: Você pode falar mais sobre sua atual área de estudo especialmente os textos sobre Vinyasa que você recentemente descobriu no Nepal? Onde você encontrou esses textos? Quais são as ramificações para estudantes e professores de yoga?

 Christopher Tompkins: Minha área de interesse como um Indologista é filologia, que é verdadeiramente uma arte da descoberta, muito mais estabelecida entre indologistas europeus do que aqui nos EUA. Eu gradualmente me tornei hábil em desenterrar os ensinamentos de yoga muitas vezes enigmáticas imbuídos dentro do ritual tântrico, onde eu encontrei as práticas particulares que Yogananda tinha herdado. Mas levou anos de exploração persistente neste vasto corpus de textos antes que isso ocorresse. O que estamos falando aqui é um corpus de escrituras 'divinamente reveladas ", conhecidas como Tantras, Āgamas, ou Śāstras, a palavra usada por Yogananda e particularmente por Krishnamacharya quando referindo-se as escrituras " divinamente reveladas "da tradição tântrica nas suas inflexões Shaiva, budistas (Vajrayana) e Vaishnava. Os dois últimos são inteiramente com base em seus antecedentes Shaiva. A tradição como um todo durou em torno dos séculos V ao XV, cerca de 1.000 anos.


 O que eu encontrei em todos os Tantras é um Yoga sādhana (prática de yoga) inovador e singular, embora unicamente diferenciada de muitas pequenas maneiras de uma linhagem para outra, e de texto para texto, existente em todas as linhagens tântricas.

 A palavra-chave nos Tantras para este sādhana é geralmente 'seqüência' (Vinyasa), em que a liturgia ritual de "ritos" (kramas) são as práticas de yoga que a compõem e que devem ser executadas em uma ordem específica, muitas vezes identificadas como «Krama-Vinyasa".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 É um fato pouco conhecido entre os estudiosos, ou totalmente ausente por exemplo a partir do catálogo do museu para o Yoga Exhibit Smithsonian que excursionou há alguns anos atrás - que esta forma única de benefíco a vida, "Vinyasa", foi prescrito como um ritual diário de chefes de família, aproximadamente fora dos limites para renunciantes (sannyasins). Tem havido muito pouco conhecimento sobre o ritual de Yoga pan- Tântrico diário, o que não é tão surpreendente quanto possa parecer, pois isso não foi feito para o público, mas apenas para gurus e adeptos iniciados (sadhakas).

 Para juntar as peças do Vinyasa Yoga desses textos é um pouco difícil no começo, pois uma outra diferença entre um Tantra e um manual de Hatha Yoga é que o sādhana diário como um todo, é quase sempre espalhado fragmentado em uma escritura tântrica, com outros assuntos discutidos no meio. Além disso, a maioria dos Tantras são muito, muito maiores em extensão e complexidade do que qualquer um destes textos de referência pós-tântricos herdados de siddhas tântricos como Matsyendra e Vashistha. Por exemplo, eu não sei de ninguém que tenha identificado o fato de que seis escrituras tântricas são encontradas nas 27 fontes textuais que Krishnamacharya forneceu em 1934 no prefácio de seu primeiro livro, o Yoga Makaranda. Quase todos os outros 24 são obras de referência, a maioria dos quais com menos de 200 versos cada.

 Os seis Tantras de Krishnamacharya - cujos nomes, infelizmente, foram um pouco obscurecidos para esconder sua identidade como Tantras - juntos contêm mais de 55.000 versos.

 Pelas razões descritas acima, estes são também os únicos textos em sua lista que contêm os 'vinyasas' para as práticas proferidas nos outros 24.

 Agora eu uso o "Vinyāsa’" e "Krama 'no sentido comum como aplicado nos Tantras, nos quais estes termos técnicos nunca foram usados ​​apenas em referência a uma seqüência de poses, da mesma forma que" vinyasa "é definido hoje. Pelo contrário, é correto dizer que a vinculação dinâmica de uma série de asanas tornou-se incluída no âmbito maior do Vinyāsa do ritual tântrico, coreografadas com as práticas que definiam o Yoga já estabelecido no cerne desse ritual - composto de mantra, práticas de pranayama, e práticas de visualização seqüenciadas em um fluxo específico para atualizar o estado liberado.

 Mas se nós fizermos um 'zoom-in', por assim dizer, a um "krama” particular dentro do ritual diário de Yoga (nitya-pūjā), encontramos' vinyasas dentro de vinyasas ', em um sentido. Um bom exemplo disso seria o ritual pan-tântrico de pradakshina vidhi, parte dos ritos matinais preliminares (adhivāsa, upacāra), começando no nascer do sol, do maior Vinyāsa diário prescrito para todos os iniciados tântricos.

 Este é o procedimento (vidhi) de circumambulação (pradakshina), em que o adepto iniciado realiza um yātra, ou 'peregrinação corporal' várias vezes em torno de sua/seu próprio maṇḍala designados para a prática ritual. Os momentos-chave nesta circumambulação ocorrem em cada um dos pontos de direção na bússola. Lá ele/ela realiza o Vinyāsa chamado Namaskāra ("prestar reverência '), geralmente uma sequência postural de doze partes que inclui uma maneira muito particular de prostrar-se sobre a terra - ou seja, com oito partes do corpo seqüenciais conhecidos como o “pranama Astanga” ou “Ashtanga Namaskara”. "O Vinyāsa aqui não é apenas dos movimentos corporais, mas inclui os mantras e trabalho sobre respiração guiando o movimento físico através das doze fases e assim por diante.

 Isto, obviamente, é o que ficou conhecido como "Sūrya Namaskāra”. Os detalhes fornecidos para este ritual diário de Namaskāra varia de Tantra  para Tantra; no entanto, eu não conheço nenhum Tantra sem ele, e vai mostrar que algumas escolas modernas de Yoga tem mantido, pelo menos, as 12 partes de movimentos posturais da sequência muito aproximado a forma como este foi prescrito 1.000 anos atrás.

 Por outro lado, manuais de 'Hatha Yoga' pós-tântricos são essencialmente textos de referência e, como tal, não contém praticamente nenhum material original, como em breve vou demonstrar. Estes são na sua maioria em suma compostos por listas categóricas de práticas, extraídos dos rituais Tântricos, dos quais quase todos eles se originaram.

 Sempre me surpreende como os estudiosos imaginam estes manuais sendo as fontes originais para virtualmente qualquer prática, uma vez que quase todos afirmam a sua autoridade por derivar de várias linhagens tântricas, e muitas vezes estipulam muitas práticas consideradas pós-tântricas quando na realidade vem dos próprios Tantras.

 O ponto principal aqui é que o ritualizado "Vinyasa", (vulgo Vidhi Krama), o seqüenciamento crucial para a aplicação dos “ritos” de yoga - é completamente deixado de fora dessas obras pós-tântricas (exceto para o uso ocasional da palavra "vinyasa 'ao explicar a ordem de como manipular os membros em uma determinada postura). De qualquer forma, em breve vou mostrar que essas obras são pouco mais do que textos de referência, que tentam (e às vezes falham, devido à passagem do tempo) replicar as práticas originais do "hatha yoga ' originais dos e inovadas nos Tântricos ao longo do tempo, e seqüenciadas dentro de seus rituais.
 

 

 Sutra Journal: Alguns estudiosos têm propagado o “meme” que Krishnamacharya

essencialmente fabricou as cinco séries de Ashtanga Yoga que mais tarde foi popularizado

por Pattabhi Jois e outros, e que Vinyasa não tem nenhuma base histórica. Você poderia

elaborar sobre como suas descobertas mudam isso?
 

  Christopher Tompkins: Bem, até agora eu não sei de uma única publicação sobre a história

do yoga, incluindo a recente entrada da BRILL Enciclopédia sobre Yoga, que reconheceu e

descreveu com precisão o lugar fundamental e crítico do Yoga na longa tradição de mil anos

do Tantra, tão revolucionário por sua grande contribuição à tradição do yoga, incluindo a

inovação baseada no 'Hatha' de seqüenciamento de Asana não-sentado. Em vez disso,

estudiosos ocidentais em particular tem simplesmente pulado sobre isso, e decidiram olhar

para os manuais de referência que são desprovidos do Vinyasa dentro do qual essas práticas

foram originalmente aplicadas, como mencionado.
 Quase todos os chamados textos de “hatha yoga” baseiam-se na sua própria autoridade

como manuais de referência, a sua fama com base no que está sendo ligado a uma linhagem

tântrica, ou aos "Shastras", "Revelação Divina", quer seja Vaishnava ou Shaiva. Altamente

obtuso e simples em comparação com a complexidade sofisticada dos rituais tântricos

baseados  em Yoga, eles são no entanto muito mais curtos e mais acessíveis do que os

Tantras (isto é, se você quiser um rol de práticas categorizadas com pouca instrução sobre a

forma de colocá-los juntos) .

 Mas muitos Tantras foram publicados e acessíveis por anos - incluindo todos os “Seis Shastras de Krishnamacharya” (a serem identificados no meu próximo curso), que pertencem à linhagem tântrica Vaishnava conhecida como 'Pancha Ratra.'

 São, certamente, estes seis Tantras a partir dos quais Krishnamacharya tentou reanimar o especializado e agora em grande parte perdido "Vinyasa-Krama 'dentro da coleção de 27 fontes textuais no seu renascimento do ' Vinyasa-Krama '. Hoje, é claro, o termo "vinyasa" veio até nós apenas como o seqüenciamento de posturas.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Isto não é como Krishnamacharya definiu esse termo. Quando ele fala de "vinyasa-s 'como grupos de posturas, isto significa ambos os mini-vinyasas dentro de uma seqüência maior de ritos que foram originalmente guiados por Mantras. Se você sabe a liturgia básica e linguagem do ritual diário de Yoga, e depois olha atentamente para os seus escritos (particularmente seu Yogamakaranda), breve esboço de uma liturgia inicial (Upacāra, Upāsana, Adhivāsa) composta da instalação ritualizada (Nyasa) de Mantras para as mãos e o corpo. Nos Tantras, a palavra "Vinyasa" aparece com Mantra ou Matrika ('mães sônicas', ou atos, que seguem em 'Divindades do Mantra "ou Mantras divinizados, em que os Mantras são descritos como a personificação incorporada do Poder Sônico (Shakti) dos Deuses e Siddhas, que presidem na Mandala, onde a prática (ritual) diária do adepto ocorre.

 Krishnamacharya correlaciona esta prática ritual inicial para as práticas de Asana coreografados com pranayama em sub-rotinas também chamados de Vinyasa. Asanas, correspondendo, ele diz ao aluno para certificar-se de seguir o mesmo vinyasa. Em suma, após a inovação de Asanas seqüenciados ter se generalizado por volta do século 10, a mesma terminologia foi aplicada para o engajamento de posturas, que foram asempre com os seus próprios mantras-semente (bijas) como prática prescrita de pranayama.

 Até o momento eu encontrei dezenas de Asana Vinyasa ensinados enigmaticamente nos Tantras, particularmente em linhagens Vaishnava e Kaula. No meu curso, eu vou mostrar evidência textual provando que asanas, inicialmente definidos como os “tronos” sobre o qual as divindades e siddhas no Mandala eram imaginados enquanto o adepto realizava pradakshina vidhi, o "rito inicial diário de circular” o Eixo no centro da própria Mandala, realizando o que hoje é chamado Surya Namaskaras. (sim, esta parte trduzida parece confusa, ver o texto original em inglês no link). Para agora eu descobri que essa prática fundamental de Tantra Yoga existiu - e refiro-me especificamente a “sequência de 12 partes asthanga pranama”, que tanto Mark Singleton e Norman Sjöman reivindicaram como uma invenção do século 20 de Krishnamacharya e companhia, acusando-o de cooptar grande parte de tradições de ginástica baseadas dos ocidentais. Ambos descartam a lista de textos-fonte para essas práticas como não relacionados à prática que ele procurou reviver, uma reivindicação que sugere que eles pessoalmente passaram através dos + de 55.000 versos encontrados nos seis Tantras de Krishnamacharya antes de julgá-lo.

 Claramente eles não fizeram isso.

 Vou refutar a teoria das origens modernas do Surya Namaskara e muitos dos asanas aplicados a ele, desenhando diretamente a partir de uma coleção de centenas de fontes tântricas inéditas.

Sutra Jornal: Qual é o papel do olhar colonial da erudição ocidental sobre yoga?

Christopher Tompkins: Krishnamacharya especificamente defendeu com o povo da Índia, em seu Yoga Makaranda para não deixar que o Ocidente adulterasse este precioso, honrado Yoga, misturando-o com ginástica e luta, e expressou a esperança de que as gerações futuras continuariam a extrair dos textos-fonte. Ele nos deu as suas fontes, que foram comprovadamente ignoradas pelos mesmos estudiosos ocidentais que convenceram a maior parte do mundo do Yoga hoje que o sistema de Yoga Vinyasa-Krama de Krishnamacharya - que vou mostrar está grande parte existente em fontes medievais como ele verdadeiramente alegou - foi cooptada a partir da Ginástica Moderna e tradições de luta.

É impossível adivinhar quantos manuscritos da tradição tântrica se escondem espalhados por todo o sub-continente e além - certamente centenas de milhares, ou mais, apenas em bibliotecas de manuscritos indianos. Muito mais desses tesouros foram descobertos apodrecendo negligenciados no fundo de casas, e muitos outros foram para fora da Índia para se tornarem relíquias em Universidades e coleções particulares no Ocidente, o que eu vi com meus próprios olhos.

Krishnamacharya nos advertiu que se não preservamos e estudamos os textos originais da tradição do Yoga, por exemplo, como ele tentou fazer tão diligentemente, sem os recursos do computador de hoje, a integridade não apenas de uma tradição, mas de uma cultura poderia ser perdida.


por Vikram Zutshi - Novembro de 2015

Traduzido para o português brasileiro por Thiago Goulart

FONTE-Link do original em inglês: http://www.sutrajournal.com/christopher-tompkins-on-the-origins-of-vinyasa

 

Certa vez uma amiga estudiosa da cultura indiana e ativista da igualdade de direitos para mulheres me deu sua opinião sobre o Tantra: no ponto de vista dela, uma prática feita por homens para estar mais próximos de mulheres em um certo tipo de contexto meramente sexualizado. Nada mais longe da verdade sobre o Tantra! Como ocidentais egóicos que queremos ter o domínio do conhecimento, podemos passar por aquele momento em que colocamos precipitadamente o lustroso distintivo de sabe-tudo, atropelando informações valiosas e com fundamento verídico, e em se tratando de Tantra, dados que até pouco tempo atrás chegavam ás nossas mãos em migalhas. Á medida que estudiosos e praticantes sérios pesquisam mais e mais fontes sérias, a verdade sobre tais tradições nos revelam a grandiosidade, beleza e complexidade destes conhecimentos milenares que tem como propósito mais elevado a libertação do ser humano de seus condicionamentos limitantes e de sua ignorância quanto a sua essência divina, estes a base dos sofrimentos que afligem grande parte da humanidade.

 

A tradução abaixo consta no arquivo de um tântrico dos nossos dias, Daniel Odier, um iniciado na escola Pratyabhijñâ pela sua guru a yoginî Laita Devî, e revela o importante papel da mulher dentro das tradições tântricas, de mesmo teor e importância que os homens, tanto no papel de guru como no de iniciadoras. Apenas mais uma prova dentre tantas que, se procuradas, são testemunhos da importância proativa da mulher dentro do Tantra, longe de qualquer submissão caricata que possa ser erroneamente adaptada. Boa leitura. Thiago Goulart

 

A jóia dos ensinamentos da yoginî espontaneamente liberta

 

Traduzido do francês por: Thiago Goulart & Fanny Glem

 

“Sahajayoginîcintâ foi uma Yoginî Sahajîya do século VIII cujos ensinamentos marcam um dos momentos mais fortes do Tantra Oddyâna, país vizinho da Caxemira do qual são originários muitos Siddhas, dentre os quais Padmasambhava que levou esses ensinamentos para o Tibete. Sahajayoginîcintâ era a discípula de outra famosa yoginî, Lakshmînkarâ, princesa do reino. Sahajayoginîcintâ tinha muitos discípulos, dentre estes Ghanthapa que estabeleceu essa tradição em Orissa.”

 

 

No supremo reino de Oddyâna,

 

Depois de uma assembleia de yoginîs cintilantes,

 

Sahajayoginîcintâ entrou em concentração cósmica infinita

 

Que confere imediatamente a energia vibrante da realidade absoluta

 

Resultante da realização da verdade suprema.

 

Ela se manifesta pela expressão da realidade do corpo,

 

Fluxo glorioso de mel, sabedoria que, de seu rosto

 

Semelhante ao lótus flui sem nenhuma hesitação:

 

Para realizar o Eu,

 

Espontâneo, puro e não dual,

 

Compreendamos que ele se manifesta como homem e mulher

 

E que seu próprio Eu, criativo por natureza,

 

Manifesta a realidade através da expressão do corpo.

 

Espontaneamente, surge uma mulher encantadora,

 

O despertar toma a forma de um corpo,

 

E o Buda, apaixonado e lúdico,

 

Sente emergir desejo e plenitude.

 

Então, deixando fluir murmúrios,

 

O Eu, tal um dançarino em um sonho,

 

Deleita-se com o jogo dos cinco sentidos.

 

Por um discurso sincero e gentil,

 

Ele faz sua amada deslizar em seu coração,

 

Cobre-a com um sutil perfume,

 

E a saboreia, bebendo sua fragrância,

 

Ele vive esta união como semelhante

 

Ao contato de cem jarras de néctar

 

E ambos abraçados

 

Desfrutam de todas as nuances

 

Desta benção.

 

A yoginî, o olhar cheio de desejo,

 

Pronuncia palavras revestidas de mel,

 

Ela se une ao dançarino movendo seu lótus

 

Experimentando uma onda de prazer.

 

O Eu em seu íntimo

 

Fica unido ao espírito,

 

E degusta o sabor único

 

De diferentes beijos.

 

Entregando-se ao fluxo apaixonado,

 

Mordendo e arranhando,

 

Fazendo jorrar um intenso prazer,

 

Lacerando seus corpos com ardor,

 

Eles põem fim á ilusão.

 

Nesta dissolução da dualidade,

 

Pelo sabor do desejo,

 

Perdendo a experiência da identidade,

 

Os amantes provam

 

Um prazer indescritível e nunca sequer alcançado.

 

Cada um nessa correnteza apaixonada,

 

Nascidos do mesmo espírito,

 

Esquecem toda dualidade

 

Conscientes deste prazer único.

 

No farfalhar apaixonado,

 

Sem distrações,

 

Eles atingem a abundância

 

Do prazer insuperável

 

Elevado ao seu cume.

 

Os prazeres humanos

 

Limitados pelo apego,

 

Quando são tranformados,

 

Tornam-se êxtase espiritual,

 

A essência da realização do Ser,

 

Além da forma e do pensamento conceitual.

 

Pois o espírito guiado por uma respiração sutil

 

Busca sua essência primordial e encontra

 

Esta benção suprema.

 

Ele não conhecerá mais a distração,

 

E descansando nesta realidade radiante,

 

Tocará a sabedoria essencial.

 

Estado sagrado

 

Estabilizado no prazer,

 

Deleite supremo

 

Que traz aos seres

 

Êxtase e alegria infinita.

 

Como os espíritos imaturos

 

Seriam despertados?

 

Aqueles cujo esplendor original

 

É obscurecido pelos brotos da ação?

 

Toda ação

 

Jorrando espontaneamente

 

Do espírito desperto,

 

É pura em sua essência

 

E seus movimentos sagrados.

 

Toda palavra é sagrada

 

Os atos são cheios de graça,

 

Heróicos e poderosos.

 

Com esse amor tranquilo,

 

A paixão, a raiva, o orgulho,

 

Ganância e inveja,

 

E todas as coisas sem exceção,

 

Surgem como perfeições

 

E o Eu se estabelece na sabedoria esclarecedora.

 

Aquele que é hábil

 

Utiliza o peso desse conhecimento

 

Na pureza inerente

 

E possui a grande realização

 

Da suprema “budeidade”

 

Na palma da sua mão.

 

Fonte: http://www.danielodier.com/french/frliberee.php

A jóia dos ensinamentos da yoginî espontaneamente liberta

 

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